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A Reprodução em cativeiro de aves de presa tem actualmente um futuro bastante incerto como actividade económica, dependendo de demasiados factores para podermos efectuar uma previsão credível sobre a sua evolução. Estes factores, dos quais destaco a subsistência da falcoaria como processo de caça apresentam sinais de grande incerteza, contudo, o factor de maior perigosidade, por ser também bastante objectivo e quantificável, é a crescente diminuição da diversidade genética dos reprodutores, como veremos neste ponto. Quando me comecei a interessar verdadeiramente pela falcoaria, a reprodução em cativeiro de aves de presa, era pouco mais que uma ilusão, uns anos depois passou a ser apanágio de alguns iluminados em todo o mundo, vendendo as aves por preços proibitivos e controlando naturalmente todo o mercado. Muito caminho se percorreu até ao dia de hoje em que qualquer aspirante a falcoeiro tem acesso a um largo leque de aves de presa a preços muito interessantes. Esta sobre oferta de aves de presa, deve-se essencialmente, como já referi no início deste manual, à proliferação de criadores, cujo único objectivo é simplesmente criar para se entreterem com um ou dois casais, não se preocupando com a qualidade nem com os custos, pois fazem-no simplesmente por prazer, vendendo posteriormente a sua produção a qualquer preço por não terem espaço para o seu alojamento. Esta situação obriga a que os criadores profissionais se esquivem a produzir muitos tipos de aves, pois cairiam rapidamente em falência, pois teriam que vender as aves muito abaixo dos custos de produção. Paradoxalmente, esta situação irá obrigar os criadores profissionais a produzir aves de muito elevada qualidade, quer em tipo quer em genética, podendo deste modo obterem uma diferenciação, fundamental ao seu sucesso. Esta situação parece já estar a ocorrer com algumas espécies de falcões como gerifaltes brancos e negros, peregrinos pealei, calidus e shains de nuca vermelha e alguns accipiteres como os gaviões negros, açores russos e Albidus, aves estas que actualmente são exclusivamente reproduzidas por um número muito restrito de criadores profissionais. Acredito ainda que serão introduzidas no mercado, a curto prazo, aves originárias de alguns criadores russos e mais a longo prazo, aves originárias de criadores da América do Sul, que irão sem dúvida revolucionar o tipo de espécies utilizadas na Europa quer de baixo como de alto voo. Onde acredito que a reprodução em cativeiro irá sofrer um grande revés senão mesmo o seu desaparecimento a longo prazo, tem a haver essencialmente com a pequena diversidade genética que algumas espécies estão a enfrentar, essa diferenciação irá sempre diminuir até ao momento em que seja permitido aos criadores a introdução de uma nova genética através da introdução de espécies selvagens. Para que isto aconteça, será necessário que os responsáveis pela conservação ao nível global, entendam o importante papel da reprodução em cativeiro de aves de presa para aliviar a pressão sobre as populações selvagens, com especial incidência nas utilizadas no mundo árabe, permitindo assim a introdução de indivíduos selvagens nos projectos de cria.
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