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Estudo de oportunidade
Escrito por Eduardo Cabral   

Apesar de eventualmente termos uma grande paixão pelas aves de presa, penso que é um erro crasso, iniciarmos qualquer projecto de reprodução sem efectuar uma aprofundada análise do mercado, pois o projecto iria tornar-se obviamente desastroso a médio ou longo prazo.

Não me refiro obviamente ao falcoeiro que tente criar com um casal de peregrinos ou açores para suprir as suas próprias necessidades, mas sim à reprodução com fins comerciais.

É importante termos presente que esta actividade é uma actividade a tempo inteiro, doze a quinze horas diárias, sem fins de semana e muitas vezes sem férias, a não ser que seja desempenhada por duas pessoas com motivação idêntica, pois caso contrário será muito difícil encontrar um colaborador com sensibilidade, responsabilidade e espírito de sacrifício suficientes para nos pudermos ausentar sem preocupações.

Embora a época de reprodução seja essencialmente no 1º semestre do ano e ser de facto a época de maior trabalho, não nos podemos esquecer de todas as tarefas de manutenção e construção que terão que ser desempenhadas no segundo semestre.

Além destas questões é necessário considerarmos que estamos a abraçar um estilo de vida diferente do comum com todas as vantagens e desvantagens da vida fora dos grandes centros urbanos.

Significativos são também os custos financeiros necessários à construção de viveiros, aquisição de equipamentos e alimentação das aves.

Fazendo umas breves contas a custos actuais (2009) diria que os custos estimados para um projecto de muito pequena dimensão, 8 casais de aves do mesmo género, por exemplo, peregrinos pealei, enfrentaríamos os seguintes custos:

1

Construção de 10 viveiros (8 p/ casais reprodutores + 1 p/ instalar os juvenis + 1 p/ mudarmos cada casal enquanto procedemos à manutenção anual)

 60.000
 2 Aquisição de 8 casais 20.000
 3 Equipamento (Rep+CCTV) 15.000
 4 Instalações de Apoio (Incubação, Laboratório, etc) Não contabilizado
  Investimento total
 95.000
 5 Amortização Anual (10 anos s/juros) 9.500
 6 Custo Anual de Alimentação e veterinária 7.000
 7 Custos de Energia, água e Comunicações 4.000
  Despesa mínima anual
20.500

Atendendo a que durante os primeiros 4 anos a nossa produção seria nula por as nossa aves ainda não terem atingido a maturidade sexual (não aconselho a aquisição de aves adultas, a não ser que acreditemos piamente no criador) e tendo como base o rácio de sucesso reprodutivo de 2:1, isto é em cada 2 casais só um é que produz, o que segundo a minha experiência é um rácio bastante bom, e calculando que cada casal reprodutor produziria uma média de 5 juvenis, teríamos a seguinte conta de demonstração de resultados:

ANO
 RECEITADESPESA
SALDO
 ACUMULADO
 1 0 20.500 -20.500-20.500
 2 0 20.500 -20.500 -41.000
 3 0 20.500 -20.500 -61.500
 4 0 20.500 -20.500 -82.000
 5 50.000 20.500 29.500 -59.500
 6 50.000 20.500 29.500 -30.000
 7 50.000 20.500 29.500 -9.500
 8 50.000 20.500 29.500 20.500

Este tosco exercício, que assustaria qualquer financeiro pela sua falta de rigor, pois não incluí muitas despesas nem entra em conta com encargos financeiros e outras variáveis, sendo também muito optimista na previsão de receitas, tem como único objectivo realçar as seguintes questões que considero fundamentais para a elaboração da análise do Investimento, tais como:

  1. Só a partir do 4º ano é que é possível a existência de receitas, começando a diminuir o prejuízo.
  2. O retorno do Investimento só vem, sensivelmente a partir do 7º ano.
  3. Os custos fixos e de Investimento em Instalações e Equipamento, são os mesmos, independentemente do valor das aves, o que nos leva a concluir que podemos usar esta variável, trabalhando com espécies mais ou menos valiosas conforme as nossas de necessidades temporais de atingir o retorno do investimento.

Há cerca de 15 anos, estava em casa de um amigo em Espanha, Diego Pareja Obregon e assisti ao nascimento do 1º Harris ( parabuteo unicinctus ) na península Ibérica, o interesse foi tal por parte da comunidade de falcoeiros, que imediatamente surgiram várias dezenas de interessados, causando muitos dissabores ao Diego por não poder satisfazer todos os pedidos.

Uns anos mais tarde, na minha anual ida ao “Sky Trial” em Ecija, Espanha, levei comigo um peneireiro americano ( falco spaverius ) que tinha adquirido há poucos dias, imediatamente fui rodeado de dezenas de curiosos interessados em adquirir aves iguais a qualquer preço.

Refiro estes dois episódios, pois hoje, alguns anos depois, qualquer destas aves baixou o seu valor cerca de 10 vezes em oposição por exemplo ao peregrino, ao gerifalte ou ao açor que mantêm o seu valor quase inalterado há muitos anos, embora haja cada vez maior cuidado na selecção de cada individuo.

Estas ocorrências levam-nos a constatar que passado o efeito de surpresa, tanto o Harris como o peneireiro americano deixaram de ter o interesse comercial que tinham embora sejam duas aves com excelentes características de caça, o motivo é só um: são bastante fáceis de reproduzir em cativeiro, ultrapassando a oferta largamente a procura.

No tocante aos peregrinos, gerifaltes e açores, tiveram os seus momentos em que foram preteridos por outras aves com maior efeito de novidade mas acabam sempre por ocupar o seu lugar preferencial no mercado, pelo motivo principal de: nunca poderem ser reproduzidos em grande quantidade mantendo os mesmos padrões de qualidade.

Refiro estas situações para evitar que o candidato a criador enverede por caminhos fáceis com a consequente falência do seu projecto a curto ou médio prazo.

É minha opinião, que sem ter o escoamento da sua produção contratualmente garantida por vários anos a única possibilidade de sucesso é produzir aves com um grau elevado de dificuldade de reprodução e mesmo estas têm que apresentar uma qualidade muito superior à média.

Considero também o mercado do Médio Oriente como um mercado de excelência e um mercado em que o criador pode enviar a sua melhor produção sem correr o risco de que concorram futuramente consigo com a descendência das aves que transaccionou.

Não quero entrar em pormenores sobre as espécies de aves que considero actualmente interessantes para integrar um projecto de reprodução em cativeiro, mas será fácil de perceber que não devem ser muito distintas, por razões óbvias, das que actualmente reproduzo, podendo ser facilmente visualizáveis neste site.

 

Produtos para falcoaria

Imagem
Arte
Pretendemos neste separador ir colocando alguns objectos de arte ligados à falcoaria. Começaremos pela pintura, tendo para o efeito estabelecido um protocolo com o conhecido artista plástico Vitor Mimoso. Se tiver alguma foto da sua ave preferida...