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Acredito que a chave de qualquer projecto de cria, assenta essencialmente numa criteriosa selecção dos futuros reprodutores. Independentemente da espécie e indivíduo a adquirir, considero importante a aquisição junto a um criador com provas dadas e nunca a um intermediário, podendo deste modo obter uma informação mais fidedigna sobre a genética de determinado indivíduo. Apesar da documentação existente sobre cada indivíduo, a aquisição de uma ave a um criador com credibilidade internacional, é ainda a melhor garantia de adquirir a ave correcta. Muitas vezes é possível traçar determinados indivíduos até à sua origem no estado selvagem (F0) tendo também toda a informação do desempenho de alguns indivíduos ao longo das várias gerações. À semelhança daquilo que acontece na reprodução em cativeiro de outros animais (cães, cavalos, etc.) começam a surgir os primeiros livros de origem (Stud Book) de determinadas espécies, como é o caso do falcão tagarote (falco pelegrinoides pelegrinoides) em: www.avianmanagement.com/barbary_falcon_studbook.htm Sempre que possível deverá adquirir os seus reprodutores de 1ª Geração (F1) ou de 2ª Geração (F2). Alguns criadores foram autorizados a criar a partir de aves selvagens irrecuperáveis, podendo transaccionar aves de 2ª geração em cativeiro o que só por si é uma garantia para o seu projecto de cria.
Se optar pela reprodução natural, além dos cuidados referidos em 3.0 penso também ser importante, seleccionar sempre que possível aves provenientes de casais que reproduzam naturalmente, assim haverá mais hipóteses dessa característica genética ser transmitida em toda a sua plenitude à descendência e consequentemente aumentar as sua possibilidades de sucesso no futuro. O recurso exagerado à Inseminação Artificial (IA) irá certamente limitar a possibilidade de reprodução natural, num futuro não muito longínquo; à semelhança do que acontece actualmente com diversas espécies de aves (galinhas, codornizes, etc.) que já perderam todas as suas capacidades de reprodução natural). Após estes primeiros cuidados, considero fundamental visitar o centro de cria e só reservar o indivíduo que pretende, depois de analisar bem as características físicas dos progenitores; É relativamente simples diferenciar uma ave saudável de outra, quer pela sua pose, quer pelo brilho dos seus olhos, assim como, por uma rápida observação do seu comportamento; se tiver dificuldades em ver estas diferenças peça a um amigo, que seja falcoeiro, para o acompanhar na visita ao centro de cria; será sempre uma mais valia importante para a sua decisão. Depois de seleccionar os pais da sua futura ave, deve solicitar ao criador o respectivo nº de anilha das aves, números esses que aparecerão registados na documentação oficial da sua ave, na caixa 4 do certificado Cites. Após a respectiva reserva, deverá manter um contacto com o criador e pedir-lhe que o informe da data de nascimento da ave que encomendou e confirmar, caso considere importante, o método de cria que está a ser utilizado assim como o nº de anilha que foi atribuído à sua ave; normalmente as aves são anilhadas pelo 13º dia, altura em que, salvo raras excepções, é possível distinguir o sexo. Se possível e se viver relativamente perto do centro de cria, deverá poder acompanhar algumas fases essenciais da sua evolução, como a constatação da sua alimentação pelos progenitores, assim como o momento em que é transferida para um viveiro de crias e onde irá interagir com outros indivíduos do mesmo género. Alguns criadores menos honestos, colocam as crias das aves mais valiosas a serem alimentadas por indivíduos de outra espécie, deste modo a ave juvenil adquire a impregnação da outra espécie, nunca reconhecendo a sua própria espécie e consequentemente nunca reproduzindo em cativeiro. Penso que uma ave (falcão ou açor) deverá ser retirada dos seus pais com cerca de 45 dias e deverá estar, no mínimo mais 15 dias num viveiro de crias, para ganhar a sua independência interagindo com outros indivíduos. Se tiver oportunidade de treinar a sua ave e caçar com ela é sempre um valor acrescentado para o seu projecto por 2 razões fundamentais: - Retirar grande parte do stress à ave, aumentando deste modo as possibilidades de reprodução natural.
- Ter a possibilidade de só incluir a ave no seu projecto de cria, se confirmar a estabilidade do seu carácter e os seus dotes de caça. (este é um dos motivos porque tantas aves são vendidas por intermediários).
Se os reprodutores a adquirir forem aves impregnadas com o objectivo de reproduzirem por Inseminação Artificial voluntária (IAV) no futuro, considero importante, além de todos os cuidados necessários de selecção dos indivíduos, conforme referido no artigo anterior anterior que o criador se comprometa a efectuar a impregnação individual da ave, tendo o cuidado de a criar sem que esta possa visualizar outras aves e que receba o máximo de socialização possível com o ser humano e com todo o ambiente familiar que o rodeia. A situação ideal seria a ave ser recolhida pelo comprador, o mais cedo possível, 12 a 15 dias de idade e que a partir daí acompanhe o seu novo dono na grande parte das suas actividades diárias. O Importante nesta fase é que a ave se familiarize com todo o tipo de estímulos exteriores e que se possível possa caçar ou pelo menos voar livremente durante os seus primeiros meses de vida, sobre a impregnação de aves de presa, aconselho o livro de McDermont, “The Imprint Accipiter“. Depois de terminada a sua época de caça, será instalada na sua “muda” ou viveiro de reprodução, onde ficará até ao fim da sua vida, sendo então treinada a reproduzir artificialmente; treino este que será referido no capítulo 7. Reprodução artificial.
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