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Independentemente do género de ave de presa e do modo de reprodução que iremos adoptar, existem determinadas características comuns que especificarei aqui, detalhando nos pontos subsequentes as especificidades comuns às várias espécies e ao tipo de reprodução. As instalações que referirei são apropriadas a climas temperados, como o da Península Ibérica e destinados a espécies europeias, devendo portanto serem efectuadas as respectivas adaptações quando pretendamos instalar espécies autóctones de zonas climáticas muito distintas das nossas.
A orientação dos viveiros (ninho) deverá ser a sul, ou quando tal não seja possível, pelo menos entre o Sul e o Nascente. O local deverá ser o mais sossegado possível para as aves de cria natural, não sendo esta característica importante para as aves com “impregnação humana “ O formato dos nossos viveiros deverá ser rectangular, tendo o comprimento, sensivelmente o dobro da extensão da largura. O material de eleição por excelência é a alvenaria, tijolo e reboco, devendo o reboco interior ser o mais liso possível para evitar ser abrasivo e danificar a plumagem das aves, viveiros em madeira não devem ser considerados por várias razões, da qual destaco como mais importante, a impossibilidade de desinfecção com eficácia, o chão deverá ser cimentado tendo evidentemente o respectivo escoamento para as águas pluviais; deve ter-se especial cuidado com o chão, colocando primeiro uma camada de pedra de enroncamento, seguida de uma camada de brita, seguidamente a colocação de um plástico e só depois se cimentará utilizando uma mistura de cimento e areia do rio, excluindo o saibro; a função do plástico é evitar que a água da argamassa se perca demasiado rapidamente, criando zonas mais fracas e passíveis de constituírem entradas para ratazanas. Num dos lados de um dos extremos do viveiro deverá ser construída uma banheira com cerca de 30 cm de altura e um diâmetro de 100 cm para as águias, 20 cm de altura e 60 cm de diâmetro para grandes falcões e accipiteres e 10 cm de altura para pequenos falcões e accipiteres; esta banheira deverá poder ser operacionalizada a partir do exterior e deverá também estar localizada longe de qualquer poleiro ou plataforma, evitando deste modo que possa se contaminada com fezes. No mesmo extremo, mas no lado oposto, deverá ser efectuado um orifício de cerca de 10 com de diâmetro para deitar o alimento às aves, é bastante prática a utilização de uma curva para tubo hidronil de 11cm e com uma curvatura de 45º; deveremos ter também o cuidado de colocar algo onde possa cair a comida, evitando que esta caia directamente no solo contaminando-se; eu utilizo para o efeito um caixote de plástico para a fruta, que é obviamente colocado com a parte aberta para baixo, de modo que a comida caía em cima, à semelhança da banheira é também importante que fique longe de poleiros ou plataformas, para a comida não ser contaminada com fezes. Finalmente, devemos cobrir o fundo do viveiro com calhau rolado com pedras de pequena dimensão (cerca de 1 cm de diâmetro) até cerca de 5cm do bordo da banheira; este é até ao momento o melhor material para cobrir o solo de um viveiro. As paredes interiores do viveiro poderão ser rebocadas com um reboco liso, contudo, caso existam possibilidades financeiras, deveriam ser revestidas a azulejo; este investimento deveria ser considerado um investimento e não um custo, pois irá futuramente facilitar grandemente as tarefas de limpeza, como irei detalhar no capítulo 8. Manutenção de um centro de cria e irá, além disso evitar o acesso de roedores pela rede do viveiro. As paredes exteriores poderão ser simplesmente salpicadas de reboco, o que irá permitir uma melhor aderência das trepadeiras às paredes exteriores o que dá um aspecto bastante natural ao nosso viveiro, eliminando os custos de manutenção com a pintura. O tecto do viveiro deverá ter dois tipos de cobertura, rede plastificada de malha elástica e telha. A telha deverá cobrir cerca de um terço do viveiro, começando na parede oposta à da alimentação e nos restantes dois terços, deverá ser de malha de rede plastificada com 5 centímetros de malha; esta malha é suficiente para a maioria das espécies; esta rede deverá ser muito bem esticada e absolutamente paralela ao solo, evitando assim a tendência de as aves se pendurarem na mesma. Finalmente, na parede traseira, junto à cobertura de telha, deverá existir uma porta de acesso ao viveiro com um visor, de modo a poder ser monitorizada a quantidade de comida a fornecer às nossas aves; este acesso ao viveiro deverá ser efectuado através de um corredor, também com uma porta de acesso, evitando deste modo surpresas desagradáveis com a eventual fuga de alguma ave. Todas as superfícies onde as aves normalmente descansem, bordo da plataforma do ninho, poleiros e plataformas, deverão estar cobertas com relva artificial, mais conhecida por astro turfa e tendo como nome artificial “ FINTURF”; deste modo as “mãos “ das nossas aves ficam sempre com uma camada de ar a circular por baixo, facilitando o processo de cicatrização das normais feridas que possa provocar a si mesma. A distribuição dos poleiros ou plataformas, janelas e ninho dependerão do tipo de ave e modo de cria, motivo pela qual serão tratados separadamente.
As dimensões que considero adequadas para a reprodução de todo o tipo de águias é um viveiro com 9 metros de comprimento, 5 metros de lado e 4,5 metros de altura. Debaixo da parte coberta com telha, é efectuada uma plataforma com 1,5 metros de lado e a toda a largura do viveiro; esta plataforma, deverá ter um ponto para escoamento das águas e ser coberta com calhau rolado com cerca de 0,5 centímetros e com uma profundidade de pelo menos 15 cm; ao longo de toda esta plataforma deverá existir uma protecção, normalmente um barrote de madeira; do topo deste barrote ao calhau rolado deverá existir uma altura de cerca de 20 centímetros e do topo do barrote ao tecto do viveiro deverá haver uma altura de 2 metros, permitindo assim que o casal possa copular sem bater com as pontas das asas no viveiro. Na parede frontal e no centro da mesma, deverá existir uma janela com cerca de 60 centímetros de largura por 30 de altura, constituída essencialmente por barras verticais, distanciadas cerca de 3 centímetros umas das outras e com a possibilidade de ser totalmente fechada, caso as aves se mostrem demasiado inquietas, durante a época da cria. Considero importante a existência da janela para o equilíbrio psíquico destas aves em cativeiro. Na base da janela, deverá existir uma plataforma, para as águias poderem estar, respeitando-se, pelo mesmo motivo os dois metros da plataforma ao topo do viveiro; esta plataforma deve estar afastada da parede frontal cerca de um metro minimizando deste modo o contacto da plumagem com as paredes dos viveiros; normalmente esta distância é conseguida, apoiando a plataforma sobre dois tubos colocados na parede frontal, a um ângulo de quarenta e cinco graus. Finalmente, de verá ser colocado um tronco com um diâmetro de cerca de trinta centímetros e um metro de comprimento, no centro do viveiro e mantido por dois suportes verticais a cerca de um metro do solo. Este tronco é de extrema importância pois motiva os chamados “fly-by “ ou voos estimulantes à actividade reprodutora; na minha experiência, só comecei a ter sucesso com a reprodução das águias, depois de ter introduzido este pormenor. Em relação aos falcões, mantêm-se quase a mesma estrutura, com as devidas adaptações de acordo com a dimensão. Dimensão de 6 metros de comprimento por 4 metros de lado e 4 de altura e distancia das plataformas e borda do ninho de 120 centímetros ao topo do viveiro. Esta dimensão deverá ser seguida não só para os grandes falcões mas também para os pequenos, como o esmerilhão (falco columbarius) que apesar da sua pequena dimensão, parecem beneficiar de uma grande área para se reproduzirem em cativeiro. Além desta alteração, considero conveniente uma plataforma no centro de cada uma das paredes laterais e a uma distância de 60 centímetros das mesmas. A janela também poderá ter uma dimensão inferior, trinta centímetros de largura por vinte de altura é suficiente.
Contrariamente aos falcões que com pequenas excepções ficam no estado selvagem juntos todo o ano, as aves do género accipiter são bastante mais independentes, juntando-se o casal somente na época de reprodução. Por este motivo, devemos respeitar e compreender a sua biologia, permitindo deste modo a sua separação sempre que o entendam. Tendo esta situação como base, utilizo para estas aves um viveiro para o macho e um viveiro para a fêmea, dispostos lado a lado; as dimensões que considero razoáveis para cada um são sete metros de comprimento, três metros e meio de lado e três metros e meio de altura. Estes viveiros são separados longitudinalmente por uma parede opaca até um metro e meio de altura, com excepção da parte onde iremos colocar o ninho que ficará opaco até ao topo; o resto desta parede será de rede ou barras verticais, com uma abertura na parte da rede, de cerca de sessenta por quarenta centímetros, onde será colocada uma janela de correr de modo a poder ser accionada do exterior. Os poleiros para os accipiteres nunca serão colocados na parede central, evitando assim tentativas de agressões que só iriam aumentar a agressividade entre o casal. Normalmente só coloco um poleiro no extremo do viveiro e outro no centro e o ninho que neste caso não é mais do que uma mesa com um metro de lado e com um rebordo de cinquenta centímetros e colocada a um metro do solo e na zona coberta por cima e lateralmente; este refúgio é de extrema importância para o macho que se pode alimentar calmamente sem ser intimidado pela fêmea. No caso dos accipiteres costuma também colocar a porta de acesso no lado oposto ao ninho, incomodando deste modo, o mínimo possível, estas aves tão nervosas. A utilização da janela de correr, será referida mais em pormenor no Capítulo 6. Reprodução natural de aves de presa Finalmente, penso ser importante que a habitual janela frontal, tenha uma dimensão bastante pequena, dez centímetros por quatro parece-me suficiente para poderem ver o exterior e não se danificarem batendo nesta; nestas aves é fundamental que se encerre a janela durante a época da cria.
Contrariamente aos outros viveiros em que as aves são mantidas aos casais, aqui são mantidas individualmente em câmaras de dimensão bastante mais reduzida. Uma dimensão de 4 metros de comprimento por 2,5 de largura e 2,5 de altura é suficiente para alojar qualquer indivíduo do género falco ou accipiter. As diferenças além da dimensão, residem em que a plataforma para o ninho é de menor dimensão , 70 x 70 centímetros parece-me adequado e que esta é colocada sensivelmente à altura do nosso peito, para melhor podermos inseminar, como veremos no capítulo 7. Reprodução Artificial de Aves de Presa. Além destas diferenças só aconselho a existência de um poleiro ou plataforma junta à janela, tendo esta uma dimensão maior, 1 metro de largura por 50 centímetros de altura parece-me adequado, sendo esta janela mantida sempre aberta, para a ave se familiarizar o mais possível com as pessoas e o movimento. No caso dos accipiteres impregnados considero importante a existência de uma pequena janela de dimensão suficiente para introduzirmos um braço e acedermos ao ninho, de modo a poder recolher o sémen, como veremos posteriormente no respectivo capítulo.
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